Tentando ser uma pessoa normal


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                     Capítulo sete 

Quando tomei a decisão de ir embora, falei antes com minha avó, que falou com minha mãe e ela aceitou de eu morar em um quartinho que tinha no quintal, no terreno havia a casa dela que morava ela e a Carol, e havia uma casinha de um quarto, onde morava meu irmão mais novo e a esposa, e tinha este quartinho de bagunças, com um banheiro do lado externo.
Eu topei e comecei os preparativos para a mudança.
O A apareceu um dia, e mostrou uma possessividade em cima de mim que eu não gostei, havia um carinha que estava afim de mim na época mas era muito mais novo que eu, e eu de pirraça, deixei o A dormindo sozinho na cama a passei boa parte da noite falando com o F.
O A não botou fe que minha relação com o F era verdadeira pois ele o conhecia do madame e sabia da idade dele.
Um dia em que eu estava super mal no madame, ao sair de lá, topei ficar com o F e fomos para a casa dele.
Quando acordei a mãe dele estava trazendo o café da manhã dele, eu estava dormindo no chão , pois a cama dele era de solteiro.
Ela nem me disse bom dia nem ofereceu café da manhã pra mim.
Nem o F se ofereceu para dividir o café comigo.
Eu me vesti e só queria ir embora.
Mas a mãe dele começou a me fazer perguntas, sobre minha idade, se era casada, se tinha filhos, se moravam comigo, e quando disse que minha filha não morava comigo, ela disse, então você está saindo com meu filho na intenção de substituir o vazio que ficou da sua filha?
Me senti muiito humilhada, e fui embora.
O F achava que estávamos namorando, e eu tentava o máximo evitar ele, quando teve uma reunião na casa de uma amiga também bruxa, eu tentei terminar com ele, mas ele não aceitava e ficava mal, eu não sabia como lidar com a situação, e no fim acho que acabei sendo meio dura com ele e terminei.
Me foquei na mudança e comecei a empacotar minhas coisas, e quando estava já quase tudo doado, vendido e malas prontas, o A apareceu em casa.
Disse que havia tomado uma decisão, que iríamos morar juntos, ele já tinha arrumado um lugar, que queria ter uma vida comigo.
Mas a tal casa, morava uma amiga, e pelo que eu havia entendido, seria meio que um triângulo amoroso. Isso e o fato de eu ter descoberto que o A tinha problemas com drogas, me fez dizer não a proposta dele.
E fui pro Paraná morar no quintal da minha mãe.
O quartinho precisava de uma reforma, além de ser retirado todas as tralhas que lá estavam e ver o que se podia reaproveitar.
Comprei uma cama usada e um guarda roupa, e o resto fui improvisando.
Mas durante os esforços físicos que eu estava fazendo, comecei a sentir fortes dores no abdômen e começou uma hemorragia.
Pedi pra minha mãe me levar ao médico já que ela tinha carro e ela disse que não podia.
Minha ex cunhada foi de ônibus comigo.
Quando o médico foi fazer o ultra-som, ele disse que não havia nada de errado com meu útero, não havia mioma ou cistos, que a hemorragia era porque eu fiz muito esforço e tinha que ter cuidado pois estava grávida de quase 3 meses.
Eu fiquei em choque, porque eu já havia me conformado com o fato de não poder ter mais filhos. E aquela notícia não podia ser verdade, falei com o médico tudo que passei e o diagnóstico que me deram, e ele disse que o médico que havia me dado tal diagnóstico errou, eu estava bem grávida.
Sai tão branca da sala de exames que minha cunhada olhava pra mim quase chorando perguntando o quão grave era a situação.
Lembro de ter dito, é muito grave, eu tô grávida, ela parou pra pensar um pouco e depois respondeu, sim e gravíssimo pois tua mãe vai querer te matar.
No caminho de casa liguei pra minha avó e contei o que estava acontecendo, ela disse para não me preocupar que ela mesma falava com minha mãe.
Quando cheguei em casa, ela já estava na porta me esperando.
Disse que não ia me botar na rua grávida, mas que ela não iria me ajudar na gravidez, pois já que eu havia cometido o erro que arcasse com ele.
Na época eu tinha plena certeza pelas contas que era do A, já que com o F rolou apenas duas vezes, mas com ambos havia usado camisinha, mas sabia que uma vez com o A a camisinha tinha sumido.
Então, era do A, na época, tinha o ICQ, era como o Messenger de hoje em dia.
Entrei on, e lá estava ele também on, disse oi, ele respondeu, e quando perguntou como eu estava, disse que estava bem, com a única diferença que estava grávida.
Ele ficou em silêncio alguns minutos, e depois respondeu, é meu, não é filho daquele muleque, é meu.
E ele disse que ia assumir, que se acaso eu precisasse se algo, podia contar com ele.
Durante minha gravidez, falamos algumas vezes, ele sempre fazendo promessas de ir nos ver, mas nunca ia.
Um dia, meu irmão mais novo, revoltado com minha mãe, ligou para meu irmão mais velho, que já estava morando no Japão, e contou que minha mãe não parava em casa, vivia em um sítio com um cara que ela tava namorando, a mãe do padrasto que abusou de mim, no final das contas acabou indo morar com minha mãe, e apesar de tudo que passamos na mão deste padrasto, meu irmão que mora no Japão,  o considerava o único pai que ele teve.
Acho que até hoje ele não sabe da história do abuso.
Meu irmão deu um carro para minha mãe e mandava dinheiro pra ela cuidar da ex sogra.
Mas meu irmão mais novo achava que minha mãe estava gastando dinheiro com o namorado e estava largando a ex sogra muito sozinha em casa.
No meio desta conversa que foi por telefone e eu só escutando, meu irmão foi de moto até o sítio buscar minha mãe, pois meu irmão que estava no Japão queria falar com ela.
Quando minha mãe chegou, chegou já xingando e gritando que a culpa era minha, que eu só sabia trazer desgraça na vida dela, que eu estragava tudo e agora estava tentando colocar os dois filhos dela contra ela.
Eu tentei me defender mas ela nem escutou.
Discutiu bastante com meu irmão no telefone e depois cheia de raiva veio e me deu uma surra, mesmo eu estando grávida.
Ela me batia com tanto ódio, que meu irmão mais novo saiu no desespero e foi buscar meu avô, que ao chegar minha mãe parou de me bater, e começou a gritar que ela nunca podia ter paz que estava cansada e ia se matar.
Meu avô abriu a gaveta da pia , disse que tinha várias facas lá, que de ela quisesse, que se matasse. Mandou eu pegar minhas coisas que ele ia me levar embora minha filha assistiu a tudo isso.
Antes de sair eu não aguentei, tudo que estava engasgado na garganta acabei dizendo a minha mãe aquele dia, o namorado dela estava lá, minha filha, meu irmão e nora, e meu avô.
Disse que ela nunca havia me amado, que a única coisa que importava pra ela eram os maridos ou amantes que ela teve durante a vida, que ela havia roubado minha filha de mim, que ela nunca foi uma mãe para mim, e que eu estava cansada de tudo isso, que uma mãe devia proteger sua filha, e não deixar acontecer o que havia acontecido comigo, ou jamais fazer algo como o que ela fez, roubando minha filha de mim, e não queria mais ver a cara dela.
Minha filha quando fui para abraçar ela, ela se esquivou, e disse que ia ficar com a avó.
Fui embora com o coração em pedaços, passei mal durante dias, e acabei tendo problemas com pressão arterial durante a gravidez.
Passei o restante da minha gravidez na casa dos meus avós. Não via mais minha filha nem minha mãe. E minha avó tentava me consolar neste sentido.
Quando fui para o hospital ter o meu filho, minha pressão estava super alta, e lembro de eles falarem que iam que fazer tudo rapidamente, lembro de eles estarem aplicando a peridural, e quando abri os olhos denovo, estava olhando para o teto e havia um enfermeiro com um daqueles aparelhos para oxigenação quando você tenta reanimar alguém.
Assutada ele falou com muita calma comigo que estava tudo bem, que eu havia dado um susto neles mas já estavam tirando meu filho e que estava tudo bem.
Depois que meu filho nasceu eu não o vi logo em seguida e isso me preocupou, mas eles diziam para eu ter calma pois estava tudo bem.
Me colocaram em um corredor, onde eu sentia muito, mas muito frio, disseram que o quarto onde eu ia ficar não estava pronto.
E não sabia da minha avó, ela tinha ido ao hospital comigo.
Quando me levaram pro quarto, dou de cara com minha mãe segurando meu filho, e olhando pra mim como se nada houvesse acontecido antes.
Eu não sabia nem o que dizer, só queria segurar meu filho.
Eu tive eclampsia, havia tido uma convulsão e uma parada cardíaca, e nestes instantes que meu filho ficou sem oxigênio, foi retirado as pressas de dentro de mim.
Os médicos não sabiam se ele teria complicacoes pós parto, havia chances de ele ter problemas de atraso mental ou outras sequelas.
Minha pressão não saia nós 18, e o Rafa teve icterícia, ficou na máquina durante uns dias e ele teve alta antes de mim, pois minha pressão não baixava.
Quando enfim ela chegou nos 13 me deram alta e fui pra casa da minha avó.
Fiquei alguns meses na casa da minha avó, até o A dizer que queria conhecer o filho mas estava sem grana pra ir nos visitar.
Aí pedi dinheiro pra minha avó e fui lá encontrar o A.
Quando fui pra sampa fiquei na casa da B, a amiga com uns tiques estranhos, e quando cheguei liguei por A, ele ficou todo feliz disse que ia passar na casa do pai buscar um colchão para melhor acomodarmos, e que iria nos buscar no dia seguinte.
Esperamos e ele não veio.
Tentei ligar pra ele durante 3 dias mas nada.
Acho que no 4 ou 5 dia consegui falar com ele.
Ele disse que estava enrolado com o trabalho que não estava tendo tempo, mas que logo iria me dar uma resposta.
Eu no dia seguinte peguei o Rafa e fui na casa dele.
Ele estava subindo a rua enquanto eu descia.
Ele olhou estranho pra mim como se não me reconhecesse, e disse, você está diferente, e só respondi, pois é, agora estou com uma criança no colo.
Fomos a casa dele, e ele quis ver se o Rafa tinha os olhos da cor dos dele, verdes, o Rafa nasceu com os olhos cinzas, e ele disse que iriam ficar verdes como o dele.
Aí ele me contou que estava passando por uma fase difícil, estava largando as drogas, que as vezes ele ficava maus, que quando ele tava muito mal, ele jogava as chaves pela janela, e como ele morava em cima de um bar, o dono do bar pegava a chave e o dia seguinte ia verificar se ele estava bem.
Disse que não podia me ajudar em nada, que ele mal estava conseguindo ajudar a ele.
Lamentava mas ele não estava preparado para ser pai.
E voltei pra casa da minha avó.
Meu irmão se separou e saiu da casa, aí minha mãe ofereceu a casa para eu morar com o Rafa.
Estávamos tentando nos dar bem, mas nunca tocavamos em assuntos do passado.
Eu estava começando a ficar bem por lá, tinha arrumado um trabalho em uma escola de informática, dava aulas e as vezes fazia corujão, pois dei a ideia ao dono da escola de abrir uma Lan house, o que fez ele ganhar muita grana.
Estava enfim me dando bem com minha filha, e com minha mãe.
Enfim estávamos a viver como família.
Aí meu irmão que mora no Japão, nventou de fazer sociedade com alguns parentes que ele havia achado na internet e queria abrir um restaurante em Assis, São Paulo, queria que minha mãe vende-se a casa, para ajudar ele a montar o novo negócio, minha cunhada viria para o Brasil para administrar o negócio e quando tudo estivesse ok, ele voltava pro Brasil.
E minha mãe topou.
E mais uma vez minha vida virou de ponta cabeça. 

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