Morte, perca e retorno ao Brasil

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Capítulo onze

Eu liguei para os hospital, e me disseram que não poderiam me dar nenbuma informação por telefone, só pessoalmente.
Eu tinha que buscar o Rafa na escola, não sabia como ia pro hospital.
Eu liguei pra filha mais velha dele, contando o que me disseram na delegacia, e ela brava disse que não devia ser nada, que era só mais uma que o pai havia aprontado. Perguntei se podia ir junto e ela disse que não, que iria com a irmã.
Liguei para uma amiga do P, que eu sabia que trabalhava perto do hospital e pedi pra ela passar lá e ver se estava tudo bem, no meio do caminho encontrei a vizinha fadista, e ela se ofereceu de ir buscar meu filho na escola e o marido iria me levar no hospital.
No caminho tentei falar com a amiga do P mas ela não atendia.
Quando chegamos no hospital e vi a cara dela já soube.
Ele teve morte cerebral, causa, aneurisma cerebral, havia se rompido causando o coma e depois a morte cerebral, quando perguntei a hora da morte, foi exatamente a mesma hora que sentir a sensação de algo sendo arrancando de dentro do meu peito.
A família não queria deixar eu ver ele, e a custo, um dos médico me deixou, ele estava ali, coração batendo, o peito se movendo da respiração, ele parecia dormindo, mas ele não ia mais acordar, eu senti que podia perdoar fosse o que fosse que ele tivesse feito, só queria uma chance de estar com ele, mas os médicos me pediram para sair do quarto pois iam preparar a retirada dos órgãos para doação.
E aí cai no choro.
Não lembro quem me levou pra casa, lembro que alguém levou o Rafinha pra ficar com eles, eu tomava quetiapina na época, e olhando os comprimidos, minha vontade era de tomar todas as cartelas de uma só vez.
Mas aí lembrei do Rafa, ele estava numa terra estranha, sem parentes , se eu morresse ele iria para um orfanato e sabe se lá o que aconteceria com ele.
Acabei tomando só dois comprimidos e apaguei.
No dia seguinte era o funeral.
No funeral o pai dele me pediu a chave da taverna, eu estava zonza dos remédios, zonza de tudo que estava acontecendo e nem me dei conta do porque da chave.
Quando eu estava saindo do velório vi a ex dele entrar , e lembro que uma amiga me puxou pra longe dali.
Ele foi cremado, ninguém da família se ofereceu para me levar na cerimônia.
No dia seguinte a cremação, a família apareceu em casa pedindo algumas peças de roupas, a câmera fotográfica e alguns objetos que eu entreguei sem problemas.
Disseram que ia me levar no restaurante para buscar minhas coisas pessoais pois eles iam fechar a taverna.
Eu so retirei as coisas do quartinho do meu filho, nem cheguei a pegar o que era meu que estava na cozinha porque eles começaram a falar que no dia seguinte eles iam na minha casa ver o que eles iam levar ou não.
O que tinha e casa era de uso meu e dele, foram coisas que nos ou compramos juntos ou montamos juntos.
Uma coisa era os objetos dele, mas eles queria ir e escolher o que eles queriam levar.
Eu estava no meu limite, eu não tive tempo de luto, eu estava sem dormir a dias, perdido o amor da minha vida, e o que eles queria fazer era demais.
Aí começaram a dizer que eu era só mais uma interesseira como as outras e outros tipos de humilhações 
Uma semana antes, havíamos todos jantado na casa dos pais dele.
Eles havia me elogiado, porque nunca tinham visto o Paulo tão empenhado em trabalhar em algo, que ele estava feliz, e eles orgulhosos porque ele não estava mais aprontando como antes, (bebidas).
E agora eu era a pior das piores porque eu não queria que eles entrassem em nossa casa e levassem tudo que eles quisessem levar.
Não consegui pegar nem mesmo uma panela minha, ficaram todos os meus objetos na taverna, que eu nunca consegui recuperar pois não tenho nem ideia do que eles fizeram com as coisas de lá.
Aí começou o inferno por causa do computador do P.
Ele algumas semanas antes , havia tirado o HD do portátil dele, e colocado e uma caixinha onde ele pudesse plugar o HD no Pc do trabalho e assim ter acesso a tudo sem precisar ficar carregando o PC.
Como o do Rafa havia quebrado ele deu o PC pro Rafa, e colocamos o HD do PC do Rafa no antigo Pc do P.
O dia que me pediram o PC dele, expliquei toda a situação e dei a caixinha do HD pra eles .
Pois eles disseram que eles não conseguiram abrir o conteúdo que lá estava, que eu estava mentindo e estava com o computador do pai delas onde haviam fotos da família inteira, coisas que para mim não havia sentido de ficar com aquilo.
Uma amiga me levou pra passar uns dias na casa dela, já que o clima lá estava horrível, mas todos os dias elas ligavam perguntando do PC, um dia o Rafa já não aguentando mais aquilo disse, mãe da o PC pra elas eu não aguento mais isso 
Voltamos pra casa e mostrei o PC pra elas, mostrei que o HD que havia lá era o do Rafa, que não havia as tais fotos, havia sim algumas fotos mas só do P, não da família,
Lembro que havia um HD meu de filmes que estava na bancada, pois uma delas roubou o HD , e fizeram um escândalo tão grande sobre o tal Pc que eu sai, fui até o pai dele que estava na rua e falei com ele,
Uma semana atrás vocês disseram que eu era a melhor coisa que havia acontecido na vida do P, agora vocês estão fazendo nossas vidas em um inferno por objetos que não vão trazer ele de volta, se elas não saírem da minha casa, vou chamar a polícia
Ele tirou elas de casa, mas aí passei a receber ameaças de todo tipo.
Alguns dias depois estava no ponto de ônibus esperando o meu filho e ele não desceu no ônibus que constumava vir, esperei o próximo e nada
Sem dinheiro pra pegar ônibus fui a pé pra escola em pânico.
Como o sistema de lá era todo automatizado, no Pc o porteiro mostrou a hora que ele entrou e a hora que ele saiu da escola
Eu já chorando pensando que haviam raptado meu filho, uma amiga me levou até em casa pra eu pegar uma foto dele e levar até a delegacia.
Quando chego em casa, meu filho estava jogando vídeo game tranquilo no sofá
Eu pasma pergunto como ele entrou em casa se ele não tinha a chave
E ele me disse que o P um dia havia ensinado a ele como abrir as janelas para poder sair ou entrar em uma emergência.
Depois deste susto eu já não guentava mais .
Perguntei a ele se podíamos voltar ao Brasil e ele topou.
Aí fui novamente pedir ajuda a amigos família quem pudesse me ajudar a voltar para o Brasil.
Meu sobrinho, que mora no Japão, se ofereceu de pagar as passagens.
Minha irmã por parte de pai, ofereceu a casa dela para eu morar já que ela estava morando em outro lugar.
Voltar pra Sampa foi um choque visual, cultural e um choque de realidade.
Uma cidade cheia pixações, e não digo grafitagem, mas coisas sem nexo, palavrões, baixarias, e muitas coisas sobre drogas.
A cidade parecia mais suja, mais feia.
O bairro onde fica o terreno da família do meu pai, havia poucos meninos da idade do Rafa, e a maioria ou era gay, ou usava drogas.
O Rafa não conseguia se enturmar.
Quando fomos visitar a escola que ele iria estudar, ele disse que não queria ficar naquela cidade.
Na época eu ainda estava magoada com minha mãe em muitas coisas, e não conseguia aceitar a ideia de ir morar com ela.
Eu já hávia conseguido trabalho em sampa , e acabei deixando o meu filho ir morar com minha mãe no Paraná, até eu arrumar um lugar melhorar para morarmos.
Na época minha filha estava em Sampa , e fui visitar a casa dela, ao menos está era mais ajeitadinha, mas vi que ela não era feliz.
Ela queria se separar, então disse que viesse morar comigo, largasse ele.
Na época não entendi o porquê minha irmã me ligou dizendo que não queria minha filha lá, ela tinha um filho, sabia que eu jamais poderia abandonar minha filha ainda mais com um neto, mas ela foi categórica e disse que cedeu a casa para mim e meu filho e não queria minha filha lá.
Mesmo assim , disse para minha filha vir, e ficar que dariamos um jeito.
Mas minha mãe ligou pra minha filha, e disse que ela tinha que lutar pelo casamento e não largar assim, e acabou voltando a morar com o dito cujo e foram também morar com minha mãe no Paraná.
Eu fiquei sozinha em Sampa, aí conheci uma guria na empresa, ela estava sobre aviso prévio e estava indo pra Florianópolis.
Como na época eu ainda acreditava em reencarnações e outras bobagens místicas, achei que nossa sintonia vinha de outras vidas.
E partir daquele dia ela só me chamava de mãe , e me chamou pra ir morar com ela em Floripa.
E lá fui, me apaixonei pela ilha, me lembrava muito o bairro que eu morava em Portugal e sabia que meu filho ia amar.
Aí soube que ele e minha filha haviam se batizado na igreja que minha mãe frequentava , e meu filho disse que como eu era bruxa ele não poderia ir morar comigo, pois eu poderia desviar ele da fé.
Na época minha raiva com religião, cominha mãe só cresceu.
Lembro que quase disse eu te odeio ao telefone para ela.
A guria que eu dividia a casa tinha dois filhos, que ela havia perdido a guarda, e eles moravam com o ex e a namorada dele.
Para ela recuperar a guarda, teria que provar que ela tinha condições de cuidar deles e alguém responsável teria que estar presente.
Na época para ela conseguir a guarda, eu me propus a adotar ela judicialmente.
Graças a este processo, as visitas das assistentes sociais, dos avanços dos meninos na escola, ela consegui a guarda novamente, mas minha relação com ela começou a ficar pesada e estranha.
Um dia ela discutiu feio com a filha da dona da casa que morávamos e fomos convidadas a nós retirar.
Retirando as coisas da casa, coloquei um tanto na casa de um amigo e outro tanto na casa de uma amiga.
Ela disse que tinha conseguido onde ficar com os meninos, mas a tal amiga furou com ela, e os meninos ficaram com o pai e ela teve que dormir na casa da minha amiga que me acolheu.
Ela escolheu a casa sem me consultar. E começou a mudança, e percebi que eu não era mais útil, ela já havia conseguido a guarda das crianças, não precisava mais de mim, então eu arrumei um canto pra mim e fui morar sozinha.
Foi difícil, pois me sentia imenso só, um dia, uma amiga bruxa veio me visitar e passou uns tempos comigo em casa.
De tanta insistência dela, acabei ficando com um cara, que era amigo do cara que ela ficou.
Mas o cara era um viciado em cocaína, e eu me afastei, quando ela foi embora o cara continuou atrás de mim, até que um dia pedi para o sguranda do posto onde eu trabalhava e mais um funcionário grandão que tinha lá para dizer a ele que me deixasse em paz.
Me mudei de casa para ele não me achar.
E morei nesta casinha, até minha amiga se separar e pedir para eu ir morar com ela e dividir as despesas.
Morar com a Xu ela incrível,  a pessoa mais de buenas que conheci em toda a minha vida.
Nós dávamos super bem, e fora o trabalho que eu detestava, as coisas estavam enfim se encaminhando.
Aí veio uma amiga da Xu dividir a casa conosco.
Sabe estas pessoas boazinhas demais ?
Pois é, sempre tive um pé atrás com gente assim e eu não sei ser falsa com ninguém.
Aí levei um tombo indo a caminho do trabalho, que afetou minha coluna e ombro, fiquei afastada uns dias pelo INSS, e a tal amiga mostrado a face aos poucos.
Meu benefício foi cortado pois o médico do INSS disse que eu já podia voltar a trabalhar, mas o médico da empresa dizia que não, que meu braço não estava curado e eles não poderiam me deixar trabalhar assim pois poderia piorar e eu culpar a empresa.
Aí foram várias reuniões até eles me conhecerem a pedir as contas. Já que a política da empresa era nunca mandar um empregado embora a não ser por justa causa.
Sem trampo, sem saber quanto tempo ia demorar pra meu braço melhorar, um dia acabei perdendo a paciência com a guria e disse umas verdades que ela não gostou e saiu da casa.
O que apertou a situação pois a grana que eu tinha dava pra dois meses de aluguel, mas depois não sabia como ia me virar.
Aí resolvi voltar a fazer artesanato, fiz várias e várias peças, transformei meu quarto em um ateliê, e saia pela praia, praças tentando vender minha arte , mas a grana mal dava pra pagar o busão de volta pra casa.
Desesperada já sem saber que rumo dar a minha vida, minha amiga bruxa A que havia me visitado em Florianópolis, me convidou a ir morar em uma comunidade em Poa, onde ela estava morando.
E lá fui, vendi minha tv e algumas coisas para pagar as despesas da viagem, e fui com minhas 

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