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Capítulo 5
E lá fomos nós, meus avós, eu com minha filha, e uma tia com a filha que também havia se separado recentemente.
No sítio tinha 3 casas, uma de dois cômodos, a minha, a da minha avó, e um pouco mais acima a casa de minha tia.
O sítio ficava em Bauru, e foi imenso difícil conseguir um emprego por lá, quando consegui, era numa gráfica e a minha chefe era bem mais jovem que eu, e ela amava que a paparicassem, e nisso eu sempre fui péssima.
Passei bastante humilhações até que um dia ela se cansou do fato de eu nunca bajular ela e me despediu.
Minha tia estava desempregada. Via meu avô arcando com todas as despesas e aquilo me doía.
Depois de um mês, vendo ele se matando pra colocar o sítio em ordem, as despesas aumentando eu decidi voltar pra Sampa.
Pedi para minha avó ficar com minha filha até eu arrumar uma casa, mas depois de tudo que minha avó havia passado comigo, da minha mãe pega, devolve, pega, ela não queria passar por isso de novo, e falou para eu pedir pra minha mãe.
Eu não confiava na minha mãe, mas após longa conversa com meus avós, lá fui eu pedir pra ela ficar com minha filha.
Voltei pra Sampa, e fiquei uns dias na casa da G, mas o irmão dela começou a implicar comigo e ela pediu para eu arrumar outro lugar pra ficar.
Falaram de uma mulher que poderia me acolher por uns tempos.
Bem, ela deixou eu ficar na casa dela, eu não tinha ideia de quem ela era, nem o que ia passar ali.
Ela era viúva, tinha 3 filhos, um trabalhava em uma funerária, e este sempre foi gentil comigo, a filha que eu mal via e mal falava comigo e o outro filho a mesma coisa., Se falavam comigo era para me humilhar.
Somente o filho mais velho trabalhava, então muitas vezes não havia comida na casa.
Ela saia todos os dias, tinha vários amantes.
O colchão que eu dormia, também dormia um cachorro, e eu vivia fedendo a baba de cachorro.
Não que eu não goste de cachorros, apesar de ser uma pessoa mais de gatos, mas eu dormia em um colchão sem lençol, já doido pelo cachorro que era enorme, e além de ele me encher de babá, volta e meia ele me mordia.
Passei muita fome morando ali, até que um dia eu liguei pra minha avó, ia engolir o orgulho e pedir ajuda, mas soube que minha ex cunhada havia dito aos meus avós que eu estava em Sampa indo as baladas, que vivia bêbada e que havia voltado pra vida de antes.
Deus sabe o quanto eu chorei aquele dia, pois meu estômago doía de fome, e eles estavam pensando que eu estava festejando.
Eu disse que era mentira , mas não contei a minha avó o que eu estava passando, não quis que eles soubessem que eu estava passando fome e humilhações.
Eu aguentava tudo que passava naquela casa pois eu não tinha dinheiro nem para voltar pro sítio.
Aí encontrei um antigo colega de escola e ele me falou de um trabalho.
Eu fui pedir dinheiro pro meu irmão pra poder ir a entrevista e escutei horrores dele na época, que enquanto ele estava lutando pra ter algo na vida, na época ele tinha uma locadora de vídeos, eu estava disperdicando minha vida e o dinheiro que ele ia me dar , provavelmente era para beber.
Eu não disse nada, peguei o dinheiro, agradeci e fui embora.
Fui na entrevista sem comer, com medo do meu estômago roncar na entrevista, mas fui.
A vaga era para recepcionista, mas quando cheguei já haviam preenchido a vaga, mas eles acharam que eu tinha o perfil para a vaga, então me contrataram como caixa, e as vezes eu iria substituir uma das recepcionista quando elas precisassem de folga.
Era uma casa noturna, famosa em São Paulo na época, O Resumo da ópera, ficava no último andar de um shopping em Pinheiros.
Naquele mesmo dia assinei o contrato e recebi meu vale transporte.
Lembro que sobrou um pouco do dinheiro que meu irmão havia me dado.
Eu estava com tanta fome , que comprei um saco com alguns pães, e fui comendo feliz no caminho.
Quando cheguei na casa o cachorro me atacou por causa dos pães que havia sobrado, 2, que eu tinha pensando em deixar para comer antes de ir trabalhar no dia seguinte.
Mas o cachorro acabou comendo e levei mais uma mordida.
No dia seguinte comecei a trabalhar, e ao chegar vi que todos estavam jantando, aí me disseram que eles serviam os funcionários o jantar, eu nem acreditei, comi a comida com tanta fome que parecia um manjar, lembro que elogiei tanto o cozinheiro que ele me olhou muito estranho, pois ele disse que normalmente todo mundo reclamava da comida.
Eu trabalhei duro para aprender a mexer no caixa, a me adaptar ao horário noturno, eu não dormia nada enquanto morava naquela casa, aí soube que uma das garçonetes estava procurando alguém para dividir o apê e lá fui eu.
Eu dormia em um quarto de empregada, onde cabia um colchão de solteiro, uma caixa destas de feira que eu guardava algumas coisas e mais uma caixa pendurada na parede, onde eu guardava minha roupas.
Mas estava tão feliz, eu tinha um cantinho pra mim denovo, não ia passar mais fome, e enfim tinha dinheiro pra ligar para minha filha, já que para minha avó eu não tinha receio de ligar a cobrar mas para minha mãe eu tinha.
Chorei tanto o dia que falei com ela, tinha tanto medo de ela me esquecer, queria poder ver ela, e eu trabalhei como doida por 3 meses, cobrindo folgas, trocando escalas , não pegando nenhuma folga pra poder ir viajar e ver minha filha.
A casa na época abria todos os dias, então tive que trabalhar muito para conseguir a folga de 3 dias, já que de viagem era uma noite inteira.
Após quase 6 meses longe, pude enfim visitar minha filha e ainda levar presentes.
Eu mal acreditava que enfim estava com ela, e aproveitei cada segundo.
Voltei chorando todo o caminho de volta pra Sampa.
Meu salário não era lá estas coisas, mas a casa tinha alguns métodos que você poderia aumentar teu salário.
Além de que eu conheci vários famosos lá, Xuxa, Ivete Sangalo, Bananas Assassinas, Titãs, vários atores da Globo, o Cantor do grupo A-ha, e os mais inesquecíveis, Bono Vox e The Edge.
Vários atores da Globo iam lá às terças, era dia em que mulher não pagava e o tal ator ou atriz, virava o DJ da noite.
Foram justamente estas noites que levaram a casa a falência.
Antes era uma casa de luxo, só ia alta sociedade, lembro que na segunda terça, eu estava na recepção, e tive que assinar vários cartões de consumo, pois os clientes não queriam ficar no mesmo ambiente que as empregadas deles estavam.
E começaram a frequentar muitas prostitutas, o que desceu muito o nível da casa.
Para aumentar o salário, haviam alguns métodos que a casa oferecia.
Exemplo, cigarros não eram vendidos a preço normal, era vendido mais caro dentro da casa, e todo valor das vendas, depois era dividido entre as caixas.
A chapeleira nunca tirava férias, e quando enfim conseguiram convencer ela a tirar férias, entendemos o porque ela nunca queria sair de lá, tudo que ela recebia na chapelaria ficava pra ela, ela não tinha salário, então o que recebesse, ficava com ela.
Lembro que trabalhei acho que 6 dias lá, e o que ganhei dava 3 vezes o valor do meu salário.
Lembro que na época comprei a bicicleta da Barbie, uma cabeça da Eliana pra maquiar, e um conjunto de cozinha não lembro se dá Barbie ou qual personagem na época minha filha gostava.
Eu mandava dinheiro pra minha mãe sempre, e um dia ela disse que a minha filha estava com um problema intestinal e que precisava de operação, que eu tinha que passar a guarda pra ela para ela ser operada, pelo convênio da minha mãe, pois assim era mais seguro.
Consegui novamente as trocas de folga e fui até lá fazer a papelada.
A guarda era provisória, depois de um ano teria uma audiência e a tutela voltava pra mim.
Eu estava juntando dinheiro pra alugar um cantinho pra mim e pra minha filha.
Mas mesmo assim conseguia de 3 em 3 meses ir visitá-la.
No fim, ela nunca foi operada, e quando perguntava sobre o problema que deu minha mãe desconversava.
Quando estava chegando o dia da audiência eu ligava pra minha mãe para saber o dia exato, pra eu poder combinar as folgas pra poder ir, mas ela dizia que não tinha ideia de quando ia ser.
Um dia troquei as folgas e fui, mas não fui direto pra casa da minha mãe, passei antes na casa da minha avó, e ela me disse que estava pedindo a Deus para eu passar lá antes.
Minha mãe mentiu na audiência, disse que eu havia abandonado minha filha e o estado passou a guarda definitiva pra ela.
Eu fiquei com muita raiva e queria arrumar um advogado e processar minha mãe , já eu eu tinha todos os comprovantes das viagens que fiz pra Bauru durante o período que ela disse que eu estava desaparecida sem dar notícias.
Mas minha avó mais uma vez se interpôs entre nós, desta vez meu avô também falou comigo.
Como era raro ele se meter nestas coisas , eu acabei escutando os dois.
Na época tinha estourado o escândalos das câmeras escondidas e os maus tratos das babás, e meus avós tinham medo de eu levar a minha filha pra São Paulo e acontecer o mesmo com ela.
Eles pediram para eu não fazer nada contra minha mãe, para deixar a situação como estava, que se um dia eu arrumasse um trabalho de dia, aí eles me ajudariam falar com minha mãe pra minha filha ir morar comigo.
A dor era tanta, a traição, mais uma vez minha mãe havia me decepcionado, e eu havia pedido a guarda da minha filha.
Estava arrasada, mas prometi aos meus avós que não faria nada contra minha mãe.
Fui passei um tempo com minha filha e não disse nada a minha mãe. Mas eu não conseguia olhar para ela.
Minha mãe até hoje fala que ela fez isso por que eu sumi por mais de um ano sem dar notícias, ela sempre afirma a mesma coisa, e hoje em dia já não me importa qual lado é o verdadeiro, Deus sabe a verdade, e as consequências disso, tiraram de vez minha filha de mim, se hoje ela não suporta nem que eu a abrace, esse foi o ponto inicial de tudo isso. Um ato que mudou toda a minha vida com minha filha.
Então não me importa mais se o que lembro é a verdade ou se o que minha mãe diz.
Eu perdi minha menininha que eu tanto amei, e ainda amo, mas hoje respeito a distância que ela quer.
Já perdoei minha mãe, então, só estou a contar tudo isso, pois faz parte da história de quem eu sou hoje.
Enfim.
Voltei pra sampa e consegui um cantinho, primeiro era um quarto com banheiro, aí depois mudei pro mesmo quintal pra uma casa de dois quartos e pude trazer meus móveis que estavam em Bauru.
Queria minha filha comigo, mas toda vez que falava com meus avós eles pediam para eu não levar ela pois não confianvam deixar ela com uma pessoa estranha a noite.
Minha vida na época trabalhando nesta casa de show/ danceteria, foi bem solitária, eu trabalhava de segunda a segunda, com um dia de folga alternativo na semana, trabalhar em uma danceteria, tirava toda a vontade de sair para qualquer lugar.
As poucas vezes que sai, foi para comemorar o aniversário de algum funcionário que eu tinha mais amizade, e mesmo assim , eu não curtia, porque quando a casa parou de abrir as segundas, era o único dia que podíamos sair e somente as casas de prostituição abriam as segundas.
Eu me sentia mal naqueles ambientes.
Então eu não saia.
A única coisa que eu tinha vontade era dormir.
Durante os 5 anos que trabalhei lá, vivi a base de pó de guaraná, energéticos, e muito sono.
Eu não tinha vontade de sair, não tinha vontade de festas, de curtir a vida, eu só queria dormir.
Também não namorava ninguém, no resumo achavam que eu era sapatão, ou uma geladeira.
A casa era conhecida como tendo os seguranças mais lindos de Sãoo Paulo, e realmente eram, mas meu caixa ficava na parte de cima, ao lado do bar e na frente das escadas internas .
Era onde eles costumavam conversar e eu escutava o que eles diziam sobre fulana que eles tinham saído, ou sobre como a cicrana era ruim de cama, então eu não tinha a menor vontade de sequer me tornar amiga de nenhum deles.
Quanto as mulheres que lá trabalhavam eu tinha amizade com algumas meninas que dividi o apê, mas não era aquela amizade.
Uma delas, R. que durante alguns anos nem notou minha presença, por meio coincidência, acabei indo morar no mesmo quintal que ela, no início quase nós tornamos amiga, mas ela era uma destas pessoas que também gostava de ser paparicada e eu como sou péssima nisso, a amizade não durou muito.
Um dia eu deixei ficar em casa a namorada de um amigo, a história que ela tinha fugido de casa pois o pai abusava dela e ela estava grávida do amigo.
Como eu já havia passado abuso, acolhi a menina.
Mas na época eu fumava, e volta e meia via que ela também fumava e algo que nunca aceitei é grávida fumando.
Disse que se ela quisesse ficar lá, não poderia fumar ou beber pra não prejudicar o bebê.
Bem está menina fez a minha vida um inferno, uma dia trocando os lençóis vi a mancha de sangue no colchão e descobri que ela não estava grávida, o que ela continuava a mentir.
E começou a fazer fofocas com a família da R. que na época nem falava comigo mais.
Chegou ao ponto de a família tirar a menina da minha casa e colocar ela pra morar na deles.
Bem, ela fez um inferno na vida deles também, a tal ponto da mãe da R. me pedir desculpas por tudo que disseram por causa da menina, porque ela já não aguentava mais ela dentro de casa, e não sabia como expulsar ela.
Aí passou no Ratinho na época, os pais dela , desesperados porque ela havia fugido de casa, e eles implorando para ela voltar.
A polícia foi chamada e a garota voltou pra casa dos pais
Na época eu já havia saído do casa noturna, que havia falido, e trabalhava de gerente em uma franquia do China in Box.
Trabalhei dois meses super tranquilos por lá, estava feliz pois tinha mais tempo de ir visitar minha filha e o trabalho era legal e tinha feito uma grande amiga, a outra gerente.
Mas no terceiro mês de experiência eu sofri um acidente, um caro fugindo da polícia, entrou na contra mão e pegou em cheio a moto que eu estava de carona e a moto de mais dois funcionários.
Eu fui a menos atingida, trinquei o fêmur, rasgou a pele de um dos olhos mas não atingiu o olho só a pele te teve que levar vários pontos e tenho a falha na sombrancelha. Outra sequela do acidente foi que minha arcada dentária se deslocou, e hoje tenho duas falhas que parecem que não tenho os dentes, mas tenho todos, mas estas falhas até hoje me dão vergonha de falar ou sorrir. E tinha hematomas pelo corpo todo, já que uma das motos passou por cima de mim.
Um dos rapazes teve traumatismo craniano, e quebrou um braço.
A garota teve as costas rasgadas quase de fora a fora, braço quebrado e o fêmur.
E o motoqueiro que estava a me dar carona não teve um arranhão do joelho pra cima, mas o carro da fuga passou em cima da perna dele e ele perdeu a perna do joelho para baixo.
Fiquei afastada um período, minha mãe foi me buscar no hospital, eu feliz pensando que assim eu poderia ficar junto da minha filha, nops, minha mãe me levou pra casa da minha avó cuidar de mim.
Com as ervas e emplastros da minha avó, me recuperei rápido, e voltei a trabalhar, e após uma semana levei um tombo em casa.
Tive uma luxação feia no joelho, e tive que ficar engessada durante alguns meses.
Quando voltei de licença , meu chefe teve que me mandar embora pois não podia renovar meu contrato pela terceira vez.
Eu ainda não andava direito e não conseguia trabalho.
E novamente passei fome.
Mas não contei a ninguém o que eu passava.
Um dia , a amiga gerente, a V. foi em casa, e ao abrir a geladeira pra pegar água, viu que ela estava vazia.
Aí ela começou a abrir meus armários e ver que tudo que eu tinha era um restinho de arroz e fubá.
Me deu uma baita bronca, que eu devia pedir ajuda aos amigos, mas isso é algo que até hoje eu não sei fazer.
Como a barra apertou e eu não podia mais pagar aluguel, fui morar com uma tia uns tempos, aí peguei dengue.
Ficava isolada no quarto, sem poder sair, pois todos tinham medo de pegar a doença.
Assim que melhorei consegui um trampo de telemarketing, e lá fui eu, através deste trampo conheci a B., e apesar de ela ter um monte de manias estranhas, nós tornamos amigas e ela deu ideia de eu ir morar na casa dela.
Morava ela, a filha e o irmão, e na época uma prima.
Foram tempos estranhos, pois a B. as vezes passava dias na cama, mal comia, não tomava banho, e tinha dias que acordava num pique e saia fazendo uma baita faxina na casa.
Como ela soube que eu era bruxa, as vezes pedia para eu fazer alguns rituais.
Eu tentei ajudar ela, mas não sabia se era depressão, trauma, ou o que deixou ela daquele jeito.
Ela não saia de casa. Vivia lá sozinha a maior parte do tempo, pois o irmãos vivia no quarto, a prima era popular e vivia saindo, a filha escola e no quarto dela, aí ela tinha a mim para conversar, e falávamos muito sobre paganismo e bruxaria.
Foi na casa dela que eu conheci o R.
Eu estava descabelada, de shorts com as pernas sem depilar a meses, suja da faxina, e ao passar por ele, e pelo irmão da B., escutei ele perguntar quem eu era, o irmão disse que era amiga da B., e ele disse que me achou interessante.
Aos poucos o R. foi se aproximando, e começamos a namorar.
Um cara que me viu naquele estado e ainda enxergou alguma beleza em mim, merecia uma chance.
Em 3 meses estávamos morando juntos.
Todo mundo que nos conhecia dizia que éramos almas gêmeas.
Até meu avô, que jamais disse uma palavra sobre meus namorados, disse o mesmo.
Nós nos dávamos muito bem, em quase 5 anos juntos, nunca brigamos, quando algo acontecia, esperávamos o outro se acalmar e enfim sentavámos pra conversar.
Mas algo me incomodava, porque a paixão havia acabado, e o R dizia que era normal, o amor um dia virava amizade, e isso fazia parte do processo.
Mas eu queria a paixão, queria os bilhetes como no começo, queria as surpresas, queria viver romance, mas vivíamos uma rotina comum.
Aí veio a menopausa precoce, e longos meses de tratamento, reposição hormonal, eu engordando e minha auto estima só baixando, e após 7 meses de tratamento veio a notícia que eu só engravidaria se fosse por inseminação artificial.
Aí tudo ficou mais estranho.
Ela sonho dele ter um filho, e como a irmã já tinha sido diagnosticada como estéril, a única opção dos pais serem avós era através do R, anos depois a irmã dele engravidou, não sei se foi o mesmo médico, mas ambas ganhamos diagnóstico errado.
Mas na época, que achávamos que não podíamos ter filhos , tudo foi meio que desabando.
Até que ele foi trabalhar com a ex dele, que acaso era nossa vizinha.
Um dia eu liguei para o celular dele e ele não atendia, aí liguei pro escritório e disseram que ele havia saído com a chefe.
Liguei na casa dela e a empregada disse que os dois estavam dormindo.
Meu mundo foi ao chão.
No modo leve de conversar o R tentou me convencer que ela tava maus por causa da separação, e que ele havia ido para tentar conversar com ela, consolar e que os dois acabaram pegando no sono.
Eu acabei aceitando a história mas com um pé atrás.
Um dia minha filha estava passando as férias conosco, e eu e ela acordamos na mesma hora e sentamos na cama, e a mesma foi se ao chão. Se quebrou.
Na confusão de acordar, ver o que quebrou, a minha filha disse que havia sonhado que o pai, ( ela sempre chamou o R de pai), estava escondendo a tia M, a ex dele, debaixo da pia.
Eu havia sonhado que os dois estavam juntos.
Minha filha voltou pra casa da minha mãe, e na época eu não estava trabalhando, e ia sair aquele dia pra uma entrevista.
Mas não sei o que me deu, e eu não consegui sair de casa.
Aí escutei a porta de casa se abrindo e quando fui ver era o R e a M.
Ambos com cara de surpresa, ela era bem branquinha e estava vermelha, ele perguntou o que eu estava fazendo em casa, e eu perguntei o que eles estavam fazendo ali.
Ela virou e disse que depois eles tratavam do assunto e foi embora.
Mas aquilo ficou na minha cabeça.
O fato de eu não pode ter filhos, de quase nunca termos relações, e o que tava rolando com a M., me fez perceber que minha relação com o R tinha acabado.
Quando eu sentei pra falar com ele disse, lembra que nós ficavamos nós imaginando velhinhos juntos?
Pois eu não consigo mais imaginar isso.
Ele apenar perguntou se eu tinha certeza, disse que sim e ele disse está bem.
Se aquele dia ele tivesse lutado por mim, pedido uma chance, mostrado que me amava eu não tinha pensando duas vezes, e teria ficado com ele.
Mas o tá bem dele, e após ele sair de boa, isso fez a ficha cair.
Nós já havíamos montado o quarto da minha filha, tínhamos planos de trazer ela para morar conosco.
Mas aí veio tudo abaixo denovo.
A minha filha disse que não podeira vir morar conosco porque a avó estava com problema no coração e ela não podia abandonar a avó , ela tinha que cuidar dela.
Ali senti que eu havia perdido minha filha.
E agora eu havia perdido o único homem que eu realmente confiei, amei, e achei que enfim meu sonho de criança ia se realizar.
Mas tudo foi se abaixo.
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