Lutas, fuga da filha e Portugal

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                      Capítulo oito 

Minha mãe vendeu o terreno, e lá fui eu com eles pra Assis, a ver se o plano do meu irmão ia dar certo.
Era um posto de estrada, eles iam ficar com restaurante, e a casa que nos ofereceram era uma casa esquisita, praticamente dormimos todos no mesmo quarto, minha mãe e a ex sogra, minha cunhada e minha sobrinha, a minha filha eu e meu filho.
Os tais primos, quando viram o dinheiro entrando no restaurante mudaram os termos e a tal sociedade foi-se água abaixo.
Aí minha cunhada comprou um ponto, de sucos e batatas recheadas.
Alugaram uma boa casa, grande e espaçosa.
Eu trabalhava dando aulas de informática e sempre que podia ajudava no restaurante.
Minha filha nunca me obedecia, tudo era a vó, e como eu trabalhava e o meu filho e minha sobrinha ficavam com ela, fiquei com medo de ela acabar fazendo o mesmo com ele.
Uma vez consegui conversar com ela, e o que ela disse que eu havia abandonado ela, que eu deixei ela com a avó para curtir a vida, que eu não a amava, não quis saber dela, e por isso não adiantava agora eu tentar conquistar o amor ou respeito dela.
Contratamos uma babá, e minha mãe foi ajudar no restaurante , e estava tudo até que indo bem no restaurante, começando uma boa freguesia, entrando dinheiro, mas meu irmão parou de mandar dinheiro do Japão e parou de ligar para minha cunhada.
Aí veio a desconfiança que algo havia de errado.
Minha cunhada tinha trauma dos seios pequenos, e pegou o capital de giro do restaurante, fez uma plástica nos seios e foi pro Japão tentar salvar o casamento dela.
Ao invés de deixar o restaurante com minha mãe que sempre trabalhou com ela, ela deixou pra mim, e minha mãe não gostou disso.
Aí disse pra eu arrumar outra casa pois ela ia entregar aquela e ia embora.
Eu aluguei um apê da cohabe, e minha mãe sumiu.
Eu fiquei com o restaurante cheio de dúvidas, pois como minha cunhada havia levado o capital de giro, eu não tinha como pagar os fornecedores, os funcionários, enfim, tentei transformar numa Lan house com lanches, eu trabalhava das 6 da manhã até às 2.
Tentei de tudo pra manter o restaurante, mas sozinha, meu irmão não falava comigo, minha cunhada não me atendia pois havia descoberto que meu irmão estava apaixonado por uma prostituta tailandesa, e havia gasto todo o dinheiro da minha mãe e o que eles haviam guardado pra investir no restaurante.
Minha mãe, sumiu no mapa.
E eu sozinha, com as crianças, cheia de dúvidas, cheques e mais cheques voltando .
Eu até tentei dar aulas de dia e abria o restaurante só a noite pra ver se conseguia pagar as contas.
Como minha filha já estava grandinha, deixava o meu filho pra ela cuidar, mas ela já não me obedecia, muitas vezes deixou claro que me odiava porque eu não deixei ela namorar um cara que ela estava apaixonada, ela chegou a tatuar com caneta as iniciais deles no braço, e eu proibi o namoro, mas ela se revoltou com isso.
Algum tempo depois, o amor da vida dela virou um travesti.
Me odiava porque ela queria sair, namorar, viver a vida, mas eu a " obrigava" a cuidar do irmão.
Um dia eu já não aguentando mais tanta pressão, entreguei as chaves do restaurante pra imobiliária, nem tentei vender o ponto, eram tantas dividas e tantos problemas que simplesmente cheguei no meu limite e entreguei as chaves.
Fui trabalhar de professora de informática em uma escola e dois meses depois virei gerente.
Mas eu trabalhava das 7 da manhã e muitas vezes até às 11 da noite, de segunda a sábado.
Eu não saia, não tinha vida pessoal, a única amiga na cidade era uma vizinha baladeira que eu nunca saia com ela porque além de não ter tempo não tinha pique.
O único momento meu que eu tinha era, quando chegava aos sábados em casa, normalmente as crianças já estavam a dormir, eu abria uma garrafa de vinho, assitia algum filme que sempre no final acabava me fazendo chorar e dormia no sofá.
Aos domingos eu acordava cedo, fazia uma faxina na casa, fazia os pratos que as crianças mais gostavam e eles escolhiam o que queriam fazer.
A minha filha sempre conseguia convencer meu filho a ir aí shopping, era o passeio que ela mais gostava.
Eu me matava de trabalhar, pra conseguir limpar meu nome pois os cheques ainda voltavam, queria dar uma vida boa aos meus filhos, mas mesmo assim minha filha mostrava que era infeliz morando comigo.
Que eu a fazia de empregada, de babá, e ela não podia viver a vida dela.
Na época, abrigue mais uma menina com problemas familiares, ela tinha ido pra cidade conhecer um namorado e o mesmo a abandonou e ela não tinha onde ficar, ela era bem baladeira e falava do mundo das baladas de uma forma para a minha filha que parecia um conto de fadas.
E com isso minha filha ia pegando mais raiva.
Alguns meses depois eu pedi pra menina voltar pra casa dos pais, e foi mais um motivo para minha filha me odiar.
Ela começou a namorar um rapaz que morava no prédio ao lado, desde o primeiro dia eu não fui com a cara dele.
Mas claro que era implicância minha.
Os dois morando em prédios ao lado, um vez veio uma conta de telefone gigantesca que eu não tinha ideia de como pagar, não bastava o tanto de dúvidas que eu estava tentando pagar, aquela conta caiu como martelo sobre mim, e quando fui perguntar porque ela vivia no telefone com o namorado se eles moravam ao lado, eu escutei toda a revolta porque eu não deixava os dois sozinhos, não deixava ela viver a vida dela, a fazia de empregada e eu era a pior mãe pois não conseguia sequer entender o que era amar alguém.
Não importava o que eu fizesse, nada estava bom o suficiente pra minha filha.
Frustada e cansada, tentei voltar pra Sampa pra ver se conseguia afastar ela daquele rapaz. Consegui trabalho rápido e casa.
Como eu tinha um bom currículo na área de informática pois sempre que podia aproveitava pra aprender mais, na época recebi uma oferta maior pra ir trabalhar no Rio de Janeiro, e como eu havia conhecido alguém pela Net, achei que era um sinal e fui dar uma chance ao cara e a oferta de trabalho.
A casa era horrível, cheia de mofo, teias de aranha, parecia uma caverna de tão umida, e havia ratos, eu entrei em pânico, como eu ia colocar meus filhos naquele moquifo?
Em uma semana eu fiz uma baita limpeza na casa, joguei fora tudo que estava velho, meus móveis chegaram, pintei, ajeitei, dei um outro visual na casa para a chegada das crianças.
Quanto ao cara, eu não sabia, mas ele tinha uns problemas com ataques de raiva, e passei alguns apertos, até que ele levantou a mão pra mim, e isso eu não conseguia tolerar, fiquei acho que dois meses só na casa dele até acontecer a primeira tentativa de me bater.
No dia seguinte a briga, ele foi trabalhar, eu arrumei uma casa, caminhao e me mudei.
Morávamos numa casa no morro, mas era uma boa casa, a minha filha fez várias amizades na escola, e o meu filho estava indo bem na escola dele.
Mas minha filha sempre deixava claro a insatisfação dela comigo.
Porque eu a afastei ela do amor da vida dela, e a fazia de empregada e por aí iam as reclamações, na época trabalhava em duas escolas pra dar conta das contas e dividas que ainda pagava, meu irmão e minha cunhada não mais falavam comigo. Minha mãe não dava notícias.
Eu estava sozinha, não podia pagar uma babá, mas minha filha não entendia nada disso.
Não tinha amigos , não saia, minha vida era trabalho casa e filhos .
Mas mesmo assim eu era a péssima mãe.
O pior que todas as amigas delas sempre diziam, que queriam ter uma mãe como eu, mas ela olhava com desprezo e com cara do do tipo, vocês não sabem o quão horrível ela é.
Sempre que ela recebia as amigas eu fazia lanches pra elas, dava espaço, tentava o máximo agradar, mas eu falhava em tudo.
Não importava o que eu fizesse, nada tava bom, eu era sempre a ruim.
Então eu vivia amarga, frustada, acabada, estressada.
Deixei ela ir passar o natal com a avó, e passamos o Natal e ano novo, eu e meu filho sozinhos.
Depois de uns dias liguei pra ela pra saber como estava, e ela me conta que perdeu a virgindade com o tal rapaz, ele apareceu na casa da minha mãe pra ver ela, e minha mãe havia feito uma cama na sala para os dois dormirem juntos.
Eu tive um choque tão grande que naquele dia meus cabelos ficaram brancos .
No dia seguinte fui dar aula, e meus alunos perguntaram se eu estava bem, pois eu não havia notado os cabelos , eu mal sequer tinha me olhando no espelho aquele dia, não estava nem conseguindo raciocinar direito.
Naquele dia desabei chorando na frente dos meus alunos.
Eu era muito querida pelos meus alunos, estranhamente qualquer adolescente me adorava, me achavam super legal, menos minha filha.
Pedi pra ela voltar pra casa, mas ela disse que havia gasto o dinheiro pra voltar . Na semana seguinte já era volta às aulas, eu sem grana, recorri para o R, pedi ajuda pra ele mandar dinheiro pra ela voltar pra casa.
Ao invés de ela voltar pro Rio, ela foi pra Sampa, e acabou fugindo, indo morar com o tal rapaz.
Ela passou por situações ruins, como ter que dividir a casa com vários homens, depois foi morar com ele numa casa, sem geladeira, com um fogão de uma só boca funcionando, e dormia numa cama onde tinha vários pedaços soltos de espuma, nem um colchão de verdade eles tinham
A única coisa que ele havia comprado era uma tv, pois o vídeo game do meu filho havia ficado com ela, e claro que ele comprou uma tv pra poder jogar 
Na época eu já estava com planos de ir para Portugal.
Havia conhecido uma pessoa pela Net, e por 7 meses namoramos online.
Depois deste tempo, decidimos que eu iria para lá passar uns meses, o tempo do visto de turista, e se desse tudo certo eu ficaria por lá, ou voltava.
Eu morava nos fundos da casa de uma amiga, que é como uma irmã para mim.
Então sabia que independente da decisão, ela cuidaria bem das minhas coisas.
Minha filha na época, sonhava ser fotógrafa, e eu sabia que se ela fizesse um curso lá, ela teria um futuro brilhante.
Mas ela disse que jamais abandonaria o tal rapaz, eu me propus até levar ele junto, mas ele se negava a sair do Brasil, e ela se negou a ir comigo.
Eu consegui uma geladeira pra ela, um fogão, e um colchão.
Fui pra Portugal com um buraco no coração.
Chegando lá, descubro que o namoro de 7 meses pela Net, era quase tudo uma mentira.
Ele me buscou no aeroporto, e eu esperando uma boas vindas calorosa, e ele me tratou como uma pessoa que havia visto ontem.
Não houve beijo, nem abraço, nada.
Quando cheguei a casa dele, já era tarde, jantamos, improvisei um lugar para o Rafa dormir pois ele não havia se preocupado com este detalhe.
E quando fomos dormir, ele me deu uns tapinhas nas costas e  boa noite.
Eu dormi, chorando baixinho aquela noite, pois mais uma vez, eu havia sido enganada.
Nos dias seguintes, conversamos, e ele como homem não podia mais ter relações pois por conta de medicações ele não conseguia mais.
E sobre outros assuntos que ele havia dito pela Net, descobri tantas mentiras, tantas que eu passei tanto nervoso, que fui dormir com meu filho naquela noite
No dia seguinte fico sabendo que houve uma enchente no Rio de Janeiro e a casa que eu morava ficou com um metro de água, e eu havia pedido todas as minhas coisas.
Fui parar no hospital com hemorragia novamente.
Desta vez era um mioma que estava maior que meu útero, e se eu subisse em um avião, eu corria risco de vida, pois meu útero podia se romper.
Não podia voltar ao Rio para ver o que havia se salvado das minhas coisas, e fico sabendo que minha filha havia largado o tal rapaz, havia fugido com um cara que ela conheceu na escola, mas o rapaz não quis levar ela direto na casa dele porque ele morava com a mãe, então deixou ela na casa de um amigo e depois vinha buscar ela.
O cara nunca mais apareceu.
E minha filha ficou com este cara que acolheu ela, ela tinha quase  15 anos e ele 32.
Eu tive dois princípios de infarto. Um no Brasil quando soube que ela tinha decidido ir morar com o rapaz, e outro quando soube que ela estava morando com um cara de 32 anos.
Me sentia impotente , sem saber o que fazer
Não podia voltar por Brasil antes de operar,
Não podia ficar na casa do cara porque o que ele queria era uma empregada e não uma esposa.
Mais uma vez meti as caras, dei entrada no pedido de ajuda pela segurança social, aluguei uma casa sem móveis , e sai da casa dele
Ele me deu um sofá cama, e um armário 
Uma cunhada dele na época, fez um trato comigo, ele havia me dado um conjunto de louças no estilo fazendinha que valia uma nota, para eu vender e comprar as coisas pra casa, ela me pediu o conjunto e em troca ela me dava os eletrodomésticos como fogão, geladeira , maquina de lavar roupa e coisas que faltavam.
Só que ela esqueceu de contar isso pro esposo dela, e ela nunca pagou a conta das coisas que ela pegou na loja.
Ela era alcoólatra, tinha vários problemas no casamento e praticamente eu era a única amiga presente.
Quando fiz a operação, fiquei uns dias na casa dela até poder voltar para a minha.
Eu gostava dela, e fiquei imenso triste quando ela se afastou.

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